Pedagogia Sistêmica - Prática e Vivência

Atualizado: Set 14

Dentro da escola passamos boa parte da nossa vida, sendo ela uma extensão da nossa casa, lá mais do que aprender o conteúdo programático necessário para nossa vida toda, aprendemos a criar vínculos, criamos histórias e experiencias que nos guiarão para a vida adulta. Mas quem nos leva para esse universo estudantil são nossos pais. Deles viemos ao mundo e por eles somos levados até a escola, sem eles não poderíamos fazer este movimento e também por eles levamos nossa lealdade, nossa necessidade de pertencimento ao grupo familiar e escolar.

Dentro da Pedagogia Sistêmica vemos com muita clareza que, quando o sistema de ensino permite, reconhece e valoriza a presença invisível e permanente do sistema familiar do aluno no dia a dia escolar, uma nova possibilidade de educação e desenvolvimento surge no aluno, com resultados poderosos e surpreendentes.



Marianne Franke-Griscksch é uma professora alemã que, durante 25 anos, lecionou em escolas de primeiro e segundo graus. Foi dela um dos primeiros movimentos na aplicação do conhecimento sistêmico-fenomenológico de Bert Hellinger dentro da sala de aula.

A sua experiência e os resultados que ela observou moldaram o movimento que veio a se tornar a Pedagogia Sistêmica. Franke-Griscksch escreveu:

“Continuamente surge em nós, os professores, a ideia de que o aluno precisa ser libertadas do espaço limitado de seus lares, onde as dificuldades sociais, a TV e a cultura de consumo têm prioridade. Ao invés disso, deveriam ser motivados para uma ética social, conhecimento e cultura gerais que a escola transmite no contexto social da coletividade, como se a escola pudesse interferir como uma correção cultural e social. E a mídia exige isso também.”
Marianne Franke-Griscksch, no livro “Você é um de nós.”

A postura que exclui o que o aluno traz da sua vivência familiar tem pesado nas costas de muitos professores, cuidadores e profissionais do ensino.

Ao excluir aquilo que faz parte de forma muito íntima no aluno(a), o professor incita, de forma inconsciente, a rebeldia do aluno na defesa de sua origem e do que ela é.

A Pedagogia Sistêmica surge como uma ferramenta que convida e reconhece esse grande componente interno do aluno para o seu processo de desenvolvimento.

Ao respeitar o que o aluno traz consigo, a escola passa então a não mais competir com o sistema familiar, nem se coloca de forma inconsciente como melhor opção.

A partir dessa nova postura, escola e família se tornam aliadas, de forma muito profunda, no desenvolvimento dos alunos.

O aluno, por sua vez, não se sente atacado em seu pertencimento mais íntimo: o seu lugar dentro da família que nasceu. Assim, com o reconhecimento por parte do sistema educacional no qual está inserido, ele se torna livre e seguro para se desenvolver e ser quem é.

Talvez seja possível dizer que, quando educadores sentem dificuldades em lidar com seus alunos, o reconhecimento sistêmico familiar seja a porta de entrada para uma dinâmica mais construtiva entre alunos e professores.


Fonte: Ipê Roxo


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